12.9.08

Apocalipse dos Trabalhadores

Já não falo da minha mesa de cabeceira há algum tempo, o que não significa que ela não continue ter no mínimo 3 livros em cima.


Não sendo a mais recente leitura, é dos que mais me prendeu no último mês.


Apocalipse dos Trabalhadores, de Válter Hugo Mãe (2008).


Romance nada romântico que nos apresenta, sem ornamentos denecessários, a vida de três personagens muito reais - duas mulheres a dias e um jovem imigrante ucraniano que sofre por estar longe dos pais.


A escrita é de uma coloquialidade genial, onde as maiúsculas e a pontuação expressiva são postas de parte a favor de uma fluidez de discurso que considero fantástica e que me permitiu ver-me no meio de um dos inúmeros diálogos entre Maria da Graça e Quitéria num dos seus biscates como carpideiras.


Um cheirinho do enredo ? Maria da Graça pondera assassinar o marido, de quem não gosta e que só vê de 6 em 6 meses, com lixívia. "Mas da boa. Tipo Neoblanc"


"maria da graça – mulher-a-dias em bragança esquecida do mundo – tem a ambição, não tão secreta como isso, de morrer de amor; e por essa razão sonha recorrentemente com a entrada no paraíso, onde vai à procura do senhor ferreira, seu antigo patrão, que, apesar de sovina e abusador, lhe falou de goya, rilke, bergman ou mozart como homens que impressionaram o próprio deus. mas às portas do céu acotovelam-se mercadores de souvenirs em brigas constantes e são pedro não faz mais do que a enxotar dali a cada visita.
tal como maria da graça, todas as personagens deste livro buscam o seu paraíso; e, aflitas com a esperança, ou esperança nenhuma, de um dia serem felizes, acham que a felicidade vale qualquer risco, nem que seja para as lançar alegremente no abismo.
o apocalipse dos trabalhadores é um retrato do nosso tempo, feito da precariedade e dessa esperança difícil. um retrato desenhado através de duas mulheres-a-dias, um reformado e um jovem ucraniano que reflectem sobre os caminhos sinuosos do engenho e da vontade humana num portugal com cada vez mais imigrantes e sobre a forma como isso parece perturbar a sociedade." (http://www.valterhugomae.com/?p=99)


O autor foi galardoado com o prémio José Saramago pelo anterior "O Remorso de Baltazar Serapião" (2006) que está paradinho na livraria à espera de dias financeiramente mais felizes da minha parte.

2 comentários:

Anónimo disse...

isto do valter é realmente uma maravilha!

pedro.

(p.s: só hoje descobri o teu blog. mas vou tornar-me um assíduo leitor.)

Anónimo disse...

isto do valter é realmente uma maravilha!

pedro.

(p.s: só hoje descobri o teu blog. mas vou tornar-me um assíduo leitor.)